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KARATE DAILY VLOG #19 – Homenagem ao mestre Funakoshi

Venha comigo conhecer o refugio do Pai do Karate moderno, o Templo Engakuji, na milenar ( milenar mesmo) cidade de Kamakura. Local onde encontramos o Memorial Gichin Funakoshi.
Uma viagem ao passado do Japão e uma homenagem à um grande homem.

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TEMPLO ENGAKUJI – O refúgio de Funakoshi sensei

O refúgio de Funakoshi sensei

O refúgio de Funakoshi sensei

É notório a presença do Zen budismo no karate desenvolvido por Gichin Funakoshi sensei, desde os ensinamentos filosóficos , técnicas contidas dentro dos kata de nosso estilo, o Shotokan, e até mesmo na decisão da escolha de um novo kanji ( ideograma japonês) para o nome Karate e o acréscimo do sufixo Dō¹ ( 道 – どう).
Quem já leu o livro ” Karate-dō, Meu estilo de vida “( Editora Cultrix), percebe a religiosidade de Funakoshi sensei nos relatos da sua vida adulta e durante o seu trabalho em divulgar a técnica de luta de Okinawa.
Um dos sonhos como karateka que eu queria realizar, era visitar o Memorial à Funakoshi sensei – não sei ao certo se seus restos mortais estão enterrados neste memorial – e foi realizando este desejo antigo, desde que comecei a ter a arte das mãos vazias como parte da minha vida, que acabei conhecendo  um pouco da história do Pai do Karate Moderno.
Seu memorial fica no templo  Zuirokuzan Engaku Kōshō Zenji¹ (mais conhecido por Engakuji 円覚寺),na cidade de Kamakura ( 鎌倉市), na Província de Kanagawa, há pouco mais de 50 km de Tokyo. O local é praticamente um complexo de templos, espalhados pelas pequena montanhas, com estradas estreitas mas bem perto do centro da  cidade, o que as vezes causa estranheza, pois em poucos minutos é possível ver a paisagem arborizada, com construções de mais de mil anos, ser trocada por prédios, restaurantes de franquias famosas, e muito trânsito.

O acesso ao templo  não é difícil, e ao lado da entrada existe uma estação de trem (Kita Kamakura ekimae -北鎌倉駅前) que facilita ainda mais o acesso. Uma dica que eu dou é que evite os feriado e fins de semana, e se isso  não for possível, utilize o transporte público.

Patio do salão Hōjō

Pátio do salão Hōjō

O Engakuji foi estabelecido em 1282 para consolar as almas dos saldados japoneses e mongois, que morreram na invasão do Mongólia. O sino e Shariden (galleria das relíquias sagradas de Gautama Buda) são tesouros nacionais.

Entrando no templo, a sensação é de que você acabou de sair de uma máquina do tempo, que te levou para os primórdios do Japão Feudal. O que não é exagero, já que as construções datam do final do século 12, início da era de Shogunato, onde o  Imperador perdia aos poucos seu poder de governante, se tornando um símbolo de ligação com os deuses, e entregando este poder à um líder militar, o Shogun! Mas alguns prédios fazem parte da reconstrução parcial do templo, que sofreu um incêndio na Era Edo.

Foi por volta do século 12 que Kamakura se tornou a capital do País, uma cidade próspera que recebia visitantes de vários lugares, o que enriquecia ainda mais a capital. Isso  explica a exuberância dos prédios e salões construídos com uma maestria  e riqueza de detalhes que ainda impressiona, mesmo depois de alguns destes terem  quase 800 anos!

Uma escadaria leva ao portão principal composto por dois andares, o San Mon (三門), que te faz perder um bom tempo admirando a beleza esculpida em madeira. O imponente portão dá uma prévia do que nos espera neste passeio.

O San Mon está na entrada do pátio de um grande salão onde foi enterrado um dos principais regentes do Japão feudal, o Hōjō Tokimune ( 北条时宗), conhecido por liderar as forças japonesas contra a invasão dos Mongóis, de difundir o Zen Budismo e por extensão o Bushido entre os samurais.

Memorial à funakoshi sensei

Karate ni sente nashi

Ao lado do grande salão, encontramos o memorial à Gichin Funakoshi sensei, modesto mas digno de sua importância. Acredito que Funakoshi ficaria muito satisfeito com a homenagem, devido a sua simplicidade.
Na lápide em mármore, encontramos seu nome e em destaque a frase que define o Karate-Dō – KARATE NI SENTE NASHI (空手に先手なし) –  frase essa muito conhecida por nós karateka e que para mim é um marco na transformação do Jutsu ( 術- lê-se djutsu) pelo Dō (道 – lê-se Dôu).
O lugar onde foi colocado o memorial ao pai do karate moderno, mostra a importância deste homem dentro da sociedade japonesa. Segundo algumas fontes, Funakoshi sensei frequentava o templo Engakuji para meditar e caminhar entre os vários templos menores espalhados pelo local.  Como disse antes, o Engakuji é um templo Zen, construído sob as ordens do regente Tokimune para implantar no Japão, o próprio regente tinha um mestre Zen , o monge  Mugaku Sogen (também conhecido por Bukko Kokishi).  Após a morte de Tokumine,  Sogen relatou  que seu discípulo  tinha sido um bodhisattva ( iluminado), graças aos seus feitos e  estudos no Zen.
É nessa áurea que Gichin Funakoshi² hoje descansa, cercado por hérois de uma sociedade que relutou em  aceitar a arte que o pequeno professor de literatura chinesa de uma escola nas ilhas Ryu Kyu lhes apresentou.
O lugar, apesar da grande quantidade de visitantes, acaba lhe cercando de uma áurea de paz e silêncio. Eu e Dona Pinto estávamos preocupados  com as filmagens e fotos, mas aos poucos isso foi perdendo o “sentido”, e nos entregamos à esta áurea.

O chá tinha gosto de caldo de cana...

O chá tinha gosto de caldo de cana…

Decidimos aproveitar o momento e degustar um chá verde num dos vários locais que existem na área.   Alguns salões promoviam cerimônias Zen com a degustação do chá , além de outras cerimônias, mas pela quantidade de visitantes nas filas, preferimos ir à um templo menor, no pátio do pequeno templo chamado Butsunichian (佛日庵), que guarda algumas obras de arte chinesa, trazida pelos monges chineses que fugiram dos mongóis para o Japão. Pagamos 500 yen ( cerca de 4 dólares) pelo chá e entrada (em alguns templos a entrada é a parte), e ainda recebemos um bastão de incenso para queimar no pequeno altar.  O chá não era dos melhores, mais forte do que os que estamos acostumados, mas o segredo é misturar o amargo da bebida, ao exagerado docinho que vem acompanhando.
No fim da caminhada, depois de uma escada que parecia levar ao céu, encontramos o último sub-templo, o Obaiin (黄梅院).  Sua construção foi um presente ao 15º monge superior do Engakuji, o monge Soseki Muso (lê-se Sossseki Mussô). O pequeno prédio que servia de escola para os jovens alunos/ sacerdotes  do monge Muso.

Sub- templo Obaiin

Didinha no Sub- templo Obaiin

Encontramos outra fila que ocupava o estreito caminho feito por pedras até um pequeno altar no fim da trilha. Didinha Pinto ainda arriscou uma oração depois de uma oferenda ao sub-templo, mas a pequena sansei ³ apenas tentava imitar os demais que visitavam o local para uma breve oração.

 Encerramos esta aventura depois de explorar um pouco mais os outros templos, mas isso iremos mostrar no próximo Karate Kast.
No fim do nosso passeio, ainda conseguimos algumas horas  para visitar o Grande Buda ( Daibutsu), uma estátua de bronze de 12 metros de altura, e com certeza mais uma fantástica atração de Kamakura, que aliás é  uma cidade aparentemente adorável.  Vários japoneses faziam questão de nos cumprimentar, conversar e até ajudar na hora daquela foto em família. Não é algo que nós imigrantes residentes na cidade de Hamamatsu, estamos acostumados.

Loja de afiação de facas e espadas em Kamakura.

Loja de afiação de facas e espadas em Kamakura.

O passeio foi maravilhoso, mesmo depois de ter dirigido praticamente a noite toda para voltar para casa,  realizar um sonho diminui a dor dos sacrifícios .
Uma coisa também interessante em Kamakura, é o comércio local. No caminho, encontramos algumas pequenas lojas de afiadores de facas e espadas, que visivelmente eram heranças de família.

Fiquem ligados no nosso próximo karate Kast, com mais  história sobre nossa viagem. E se você gostou do nosso post de hoje, comente, compartilhe nas redes sociais, pois isso nos ajuda muito.
Ossu!

E para encerrar esta postagem com chave de ouro, nada melhor do que ter nosso jovem praticante aspirante à karateka, prestando sua humilde homenagem à Funakoshi sensei.

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1 – O acento na letra ō, representa um breve prolongamento na pronúncia, que é feita de forma fechada e finalizando com um breve U (Dôu).   2 – Nosso site não sabe ao certo se os restos mortais de Gichin Funakoshi estão enterrados no local do Memorial, pois foram poucas fontes encontradas sobre esse assunto, e não muito confiáveis.   3- Sansei – netos de japoneses nascidos fora do Japão.

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