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O DESAFIO DOS 100 KATA!

ABERTURA DO 100 KATA CHALLENGER - Okinawa

ABERTURA DO 100 KATA CHALLENGER – Okinawa

As comemorações do dia do karate em Okinawa começaram no dia 24 de Outubro, com o “100 kata challenger“. Evento organizado pelo inglês James Pankiewicz, praticante de karate Shorin* Matsubashi  Ryu, aluno de Arakaki sensei . James reside em Okinawa há pelo menos 9 anos,  com o objetivo de treinar karate tradicional de Okinawa. Desde então, vem desenvolvendo eventos e empreendimentos com a temática karate, como é o caso do Dojo Bar, que certamente é um ponto turístico para qualquer karateka que vai à Naha. Deixar registrado sua passagem por lá, escrevendo seu nome nas paredes do bar já é uma tradição entre os visitantes.

PORQUE O 100 KATA CHALLENGER ?

Essa com certeza é uma pergunta que James san tem que responder frequentemente , haja visto sua habilidade com a resposta.

” Por que a forma do desafio pode ser feita com todos juntos, não importa se você é um iniciante, um atleta famoso ou um praticante.  É um desafio difícil mas todos podem executá-lo em qualquer lugar, seja em Okinawa, no Japão ou em qualquer outra parte do mundo, mas que nos uni com o mesmo objetivo, o mesmo sentimento, nos transformando em uma família através deste desafio. ”
– James Pankiewicz

E foi com esse sentimento que karateka* de vários países e estilos que, juntos no pátio do Karate Kaikan em Okinawa, em frente ao ” Dojo Especial ” do complexo, executaram 100 kata no período de 2 horas  decretando a abertura das comemorações ao Dia do Karate!  Aliás, quase todos…

PENSANDO EM IR  À OKINAWA? VAI VESTIDO DE FORMA ELEGANTE COM TOWAKAI!

 

Abertura do 100 kata challenger

James – Organizador do evento e Arakaki sensei – 10º Matsubayashi Ryu

O evento começou com apresentações e algumas palavras do organizador e do seu sensei  Toshimitsu Arakaki, 10º Dan do estilo  Shorin Matsubayashi Ryu.

Todos os participantes se apresentaram dizendo seu estilo e país de origem.  Karateka do Canadá, Argentina, Austrália, Noruega e claro Brasil!
Os estilos eram os mais diversos, até mesmo alguns que nunca ouvi falar (nem a maioria dos participantes ali), mas o clima era excelente, todos felizes e dispostos a fazer o intercâmbio, outro ponto alto do evento. Após o discurso de Arakaki sensei, que foi traduzido para inglês por James san,  tivemos uma breve explicação sobre as regras.  Eram 100 repetições dos kata* que você mesmo definia, não era nenhum pré-determinado pela organização do evento, o que foi excelente já que eu, Ibata sensei ( Ibata Dojo Hamamatsu) e Santiago ( Argentina), éramos  os únicos praticantes de estilo  Shotokan aparentemente, e estaríamos perdidos caso fosse definido um kata dos estilos de karate de Okinawa.  Também tínhamos a liberdade de trocar de kata caso desejássemos.
A  meta eram 100 repetições, mas nem todos conseguiram atingir essa marca,  talvez devido o preparo físico, que contou muito depois da 50ª execução, ou por que alguns tinham apenas como objetivo participar do evento para fotografar ou ainda apenas prestigiar.

"Oliver" Karate Kyokushin - Noruega

Filho de Odin no evento nos mostrando a “Viking Power”

Mas muitos deram o seu melhor, como foi o caso do nosso amigo de nome impronunciável na minha língua portuguesa, mas que logo o batizei de “Oliver“, karateka Norueguês do estilo Kyokushin, de uma simpatia sem tamanho.  Permaneceu firme e forte até o fim do evento, atingindo a marca de 68 repetições, e saindo do Karate Kaikan direto para o Dojo de Higaona sensei ( Goju Ryu) para uma seção de 2 horas de treino. Um exemplo de guerreiro Viking dos tempos modernos.
O objetivo era exceder seus limites, conectar mente, corpo e espirito, afinal depois de 30 repetições sem esses três você dificilmente iria até o fim…

Após a foto oficial do evento, nos dividimos em grupos. No começo, grupos pequenos formados por praticantes do mesmo estilo ou do mesmo dojo, mas aos poucos o intercâmbio técnico e a miscigenação entre eles foram aparecendo.
Eu e Ibata sensei começamos com o kata Heian Yondan, estávamos tímidos já que aparentemente éramos os únicos praticantes de Shotokan.  Depois de pensar sobre ter que chutar 100 yoko geri keage com cada perna, decidimos diminuir um pouco do nível do desafio, e trocamos para o kata Tekki shodan, mas confesso que não foi tão fácil como imaginávamos…

DOJOWEB –  A FORMA CERTA DE GERENCIAR SEU DOJO!

A primeira pausa foi logo após a 45ª execução.  As pernas já davam sinais de cansaço e o suor  escorria pela testa (no meu caso escorria bem mais por falta de cabelos).  Foi uma parada de 15 minutos para beber água, sentar um pouco, conversar com outros participantes e tomar fôlego.  FOI UM ERRO!

Desafio dos 100 kata Okinawa

O argentino Santiago ( Fã do Pelé) , se junta a nossa equipe.

A volta foi pior, as pernas tremiam, a sensação era de que elas estavam desencaixando do quadril a cada deslocamento de base Kibadachi.   Os joelhos  já estavam reclamando, principalmente os de Ibata sensei, mas continuamos firmes e fortes.   Próximo a 1 hora de evento, íamos bem, o problema é que manter o ritmo era difícil. Adotamos o sistema de revezamento, a cada repetição um de nós dois tomava a dianteira, e “puxava” a execução.
60ª repetição, mais uma pausa…
Dai pra frente tudo ficou mais difícil, inclusive o passar das horas.  A dor já tinha desistido de nós, o dogi¹ pesava mais devido ao suor, o sistema de revezamento já não estava surtindo tanto efeito assim, começamos a trocar de direção a cada repetição e praticar Mokuso².

Pinto san

” Vai ser legal” – Eles disseram…

Na verdade estávamos receosos com a prática de alguns costumes do karate japonês, tal como o próprio Mokuso, era nossa primeira vez em Okinawa e nosso primeiro contato com os estilos tradicionais, não sabíamos como seria a reação caso usássemos os “rituais” do karate shotokan, mas isso foi aparecendo naturalmente.
Santiago, um jovem karateka também do estilo shotokan, se apresentou e pediu para se juntar ao nosso grupo, como toda a ajuda é bem vinda aceitamos de cara, e assim fomos até o nosso objetivo.

Aos poucos o pátio foi ficando vazio, a noite foi chegando e com ela uma certa tristeza.  Participantes  paravam para bater fotos, assinar o nome e voltar para o conforto do lar, alguns sem terminar o desafio,  mas não os 3 sul-americanos que com muito esforço chegaram as 90 repetições.  Pausa para água e enviar mensagens de despedidas para os familiares…
Pátio vazio e escuro, três karateka com mãos apoiadas nos joelhos, apenas o mais jovens ainda tinha esperanças de terminar, as últimas 20 execuções mais pareciam uma seção de Taichi, e aquele pensamento de ” o que é que eu to fazendo aqui?”.

Karate Kaikan dojo especial

DOJO ESPECIAL  DO KARATE KAIKAN – Esse lugar é mágico!

Então a magia acontece! Naquela escuridão, luzes ascendem direcionadas ao “Dojo Especial”, um belíssimo palco para apresentações comemorativas, a visão era maravilhosa e revigorante.  Decidi pegar aquela energia positiva que nascia com aquela imagem e terminar aquele desafio, agora sim era um desafio de verdade. Nos alinhamos  à frente do prédio iluminado, agora só havia o estilo shotokan, ninguém mais para nos preocuparmos com etiquetas ou possíveis gafes. Ouve um pequeno discurso sobre o que fomos fazer ali, da importância que toda essa experiência teria nas nossas vidas , um longo “Mokuso” para absorver aquela áurea, e lá fomos, 10 repetições de Tekki Shodan, com nosso máximo!   Éramos uma equipe, não uma equipe competitiva, um grupo unidos por uma dificuldade e um propósito.  Um falhava por um breve momento, mas era logo resgatado pelos outros dois companheiros e retornava à batalha.  E assim completamos os 100 kata.

Desafio dos 100 kata okinawa

Pinto San, Santiago, James e Ibata sensei.

Eu não sabia ao certo se aquilo era um abraço ou a gente estava se apoiando uns nos outros, mas com certeza tudo aquilo ficou marcado, não somente nas nossas mentes, mas também nas câmeras que a equipe da organização do evento usava para registrar tudo aquilo.  Algumas palmas por partes dos que estavam assistindo e os parabéns por ter concluído e entendido o “espírito da coisa.”

A comemoração foi regada à litros de água, relaxantes muscular, massagem com Calminex (uso veterinário) e aquela  felicidade por trás dos rostos suados e cansados.  Nós estávamos em Okinawa, o berço do karate.

Ossu!


* Palavra karateka não faz parte  da língua portuguesa, logo não segue as regras de  plural. 1 – DOGI (Dôgui) – Uniforme usado nas artes marciais japonesas, erroneamente chamado no Brasil de Kimono.   2- MOKUSO (Mocusô) – meditação usada também nas artes marciais japonesas.

 

 

 

 

 

ONDE NASCEU O KARATE…

MUSEU DO KARATE – Okinawa

Quem acompanhou as aventuras de parte da nossa equipe do site na ultima semana ( 24 a 29 de outubro) através das postagens na nossa Fanpage e Instagram,  sabe que estivemos no berço do karate, a Província de Okinawa, um grupo de ilhas ao sul do Japão, com praias lindas e exóticas, povo receptível e muito karate.

O reino de Ryukyu ( antigo nome de Okinawa) foi fundado  por volta do fim do século 14, e logo se tornou um reinado importantes, pois o arquipélago situado no Mar da China Oriental  era um porto natural e praticamente uma parada obrigatória para todos que navegavam nas imediações.  Como toda terra portuária, o comércio e intercâmbio cultural era enorme, povos de muitos lugares interagindo com os nativos, desenvolvendo a cultura local, influenciando no comportamento diário, assim como na música, danças, culinária, moda e claro, formas e técnicas de proteção ao reino.
Foi assim que nasceu o “To -Di”, ou To-de ( em japonês), uma forma de luta local, que influenciada por culturais externas, evolui para uma forma de combate que mais tarde serviria para proteger não somente a classe menos desfavorecida , como também a classe aristocrata e até mesmo  a família real.
Por um bom período Kyuryu foi em partes colônia chinesa, nação que mais influenciou o arquipélago,  inclusive vários funcionários públicos do governo de Ryukyu eram chineses ou descendentes de chineses. Segundo a historia, 36 famílias chinesas oriundas da província de Fujian ( China), foram enviadas pelo Imperador Chinês Ming ( Dinastia Ming 1368–1644), entre os enviados haviam políticos, funcionários e militares.
Tudo isso contribuiu para o surgimento do To-Di, pois periodicamente juncos chineses ( enormes embarcações ) eram mandados para o arquipélago para manter sempre os laços estreitos entre ambos e para receber os tributos que Ryukyu pagava  à China.

Que tal ir para Okinawa bem vestido?  Dogi Towakai é elegância conforte e tradição.

 

Muitas dessas visitas serviram para o intercâmbio de estratégias e técnicas militares, como por exemplo o próprio kata  KUSHANKU ( Série Kanku do shotokan), segundo os relatos históricos, Kushanku era um mestre de Wushu (武術 -arte da guerra) e militar.  Após uma apresentação dada por ele na sua visita ao reino, mestres de To-di que estavam presentes na apesentação, desenvolveram este kata baseado nos movimentos demostrados  pelo  mestre  Kushanku, e foi nomeado com seu nome em sua homenagem.

A arquitetura chinesa presente no reino de Ryukyu -Okinawa

A presença da China tanto na cultura , vestimenta, arquitetura, culinária e arte marcial em Okinawa é notada até os dias de hoje.  Minha primeira impressão ao sair do aeroporto e ver a paisagem de Naha¹ foi de que eu não estava no Japão, País onde resido há mais de 10 anos.
Em 2015 tive a oportunidade de morar em Beijing por alguns meses,  e graças à isso notei várias semelhanças  entre Okinawa e China, não somente na cultura como também na aparência e comportamento dos locais.
O reino de Ryukyu foi dominado   no século 16 pelo clã Shimazu a pedido do imperador japonês, mas somente no século 18 na era Meiji que ele foi anexado oficialmente ao Japão, passando a ser conhecida por Okinawa.

No arquivo público de Okinawa pesquisando sobre a reunião dos mestres em 1936

Foi nesse período que os japoneses conheceram o To-di, através das mãos de mestres do arquipélago e particularmente de um estudante aplicado, fluente em idioma  chinês, japonês e aluno de dois dos principais mestres de To-di , Gichin Funakoshi.
Foi também nesta época que o nome  karate² (手) , outro nome para o To-Di  mas como referência à dinastia chinesa Tang,  passou a se chamar karatedo (手道).  Esta mudança foi decidida em uma  reunião promovida pelo jornal do arquipélago, o Ryukyu ” Shinpo²”, com os principais mestres da época, no ano de 1936.  Essa história eu irei contar na próxima semana.

Em 1945 após a segunda grande guerra, mais uma vez o arquipélago foi tomado, desta vez pelos  americanos, sendo separada do Japão e assim permaneceu por um período de 27 anos.
Alguns mestres de karate de Okinawa e pessoas ligadas ao museu do karate, me relataram que esse período foi o responsável pela separação do karate em dois, o karate japonês e o Karate tradicional de Okinawa, pois o intercâmbio entre eles foi interrompido, já que era necessário passar por uma burocracia para poder viajar entre os territórios, fazendo com que o karate da ilha e do Japão, tomassem rumos muito diferentes.

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Watashi wa Ryukyujin desu” – Eu sou de Okinawa – Hokama sensei

Ainda hoje muitos mestres de Karate se consideram “Ryukyujin” ( povo de okinawa) e não japoneses, não somente pelo fato de que no período de dominação americana, os nascidos era registrados como nativos de Okinawa eao invés de japoneses, mas como também em protesto e tentativa de resgate das tradições, histórias e alguns  costumes do  antigo Reinado.  Alguns nativos nascidos nesse período ainda possuem o antigo passaporte de Okinawa.

O governo Japonês juntamente com o governo da província, vem desenvolvendo vários projetos para a melhora da infraestrutura para a  prática e desenvolvimento do karate.  O Karate Kaikan* é um destes projetos, um complexo onde comporta área para eventos, treinamento e um luxuoso museu dedicado ao karate e  kobudo, além de competições e total assistência para os karateka* que vão ao arquipélago para aprender mais  sobre a arte das mãos vazias.

E assim, através dessa publicação de hoje, nosso site começa o relato dessa aventura de seis dias em Okinawa, as aventuras de  Pinto San e Ibata sensei ( Ibata Dojo- Hamamatsu) desbravando e aprendendo mais sobre nossa querida arte marcial.
Vem com a gente.
Ossu!


*Nosso site segue o sistema Hepburn de transcrição do  idioma japonês para o alfabeto romano, e este desconsidera a regra da língua portuguesa que determina o emprego da consoante M antes das P e B e o emprego do N no fim de palavras com pronuncia fechada.  1-  Naha – NARRA – Uma das cidades da província.  2 – Apesar da mesma pronúncia, a palavra karate era escrita com os kanji referente à dinastia chinesa Tang – 唐手 , hoje é usado o kanji para a palavra vazio -空手, o sufixo DO foi uma exigência da Dainippon butokukai para aceitar a arte de Ryukyu como arte marcial japonesa. 3 – Palavra karateka não faz parte  da língua portuguesa, logo não segue as regras de  plural.

 

KOKUBUN SENSEI NA ARGENTINA!

Pela primeira vez !

Pela primeira vez !

Neste fim de semana está acontecendo o  curso de kumite com o Campeão Mundial e várias vezes campeão Japonês ( WKF e JKA), Toshihiro Kokubun, na cidade de Buenos Aires – Argentina.

Essa é a primeira vez que temos um curso na America do Sul com este renomado karateka.
O evento está sendo realizado no Clube Atlético Banco de la Nación Argentina, e é uma  iniciativa da Organização Caminho Shotokan Argentina.

Kokubun sensei faz parte da elite de atletas e karateka não só do Japão, mas também do mundo.
Acredito que seja uma honra para todos os karateka da região,  participar de um curso  inédito com esse expoente do karate mundial, e esperamos que essa iniciativa seja tomada por mais organizações, e que possamos ter esse privilégio no Brasil.

Rodrigo Brito e Kokubun sensei

Rodrigo Brito e Kokubun sensei

O evento começou no último sábado dia 21, e encerra-rá neste domingo, e ainda conta com a participação de algumas organizações e karateka brasileiros, como o caso do nosso leitor e amigo Rodrigo Brito, e também a Associação CT-Hiryu-Kan, de Pelotas -RS.

Kokubun sensei é oriundo do famoso clube de karate da Universidade Takushoku (Tokyo), berço de renomados karateka, tal como o própio Masatosho Nakayama sensei.

Tivemos uma breve conversa via Facebook com Kokubun sensei, que confirmou sua volta para Japão na próxima semana.

Quando será que teremos esse excelente karateka ministrando seminários pelo Brasil? Com certeza isso seria uma ótima oportunidade para todos os karateka brasileiros, independente de siglas ou organizações.

Ossu!

Kyokushin e JKF  se unem na luta pelo karate Olímpico!

Kancho Matsui da kyokushin Kaikan quer o karate nas Olimpíadas.

Kancho Matsui ( kyokushin Kaikan) quer o karate nas Olimpíadas.

Os planos para tornar o karate esportivo em um esporte olímpico está ficando cada vez mais ousado!

No ultimo dia 16 deste mês de abril, a IKO Kyokushin kaikan e a Federação Japonesa de Karate (JKF) no Japão, realizou uma conferência de imprensa para anunciar o início de um esforço em conjunto, como organizações colaboradoras, com o objetivo de ingressar  o Karate nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos  de 2020 em Tóquio.

A conferência contou com a presença  do Presidente da JKF Takashi Sasagawa, do secretario geral da WKF o senhor Toshihisa Nagura , e do presidente da IKO Kyoukushin Kaikan , Shokei Matsui.

“Kancho¹ Matsui e eu, concordamos em desenvolver ainda mais Karate com o objetivo de que entre como uma competição oficial nos Jogos Olímpicos. Enquanto nós mutuamente reconhecermos e respeitarmos as nossas organizações, vamos nos esforçar para conseguir esse objetivo, utilizando as regras da WKF. Para atingir essa meta, vamos colaborar e apoiar uns aos outros. Este é o foco da nossa coletiva de imprensa.”-  Declarou o presidente da JKF  o senhor Sasagawa.

Os discursos sobre o trabalho em conjunto  e respeito aos que já existem em  ambas as organizações, foi reforçado nas palavras do Kancho da Koykushin Kaikan o senhor Matsui.

“Tenho o prazer de anunciar que a IKO e a JKF tornaram-se organizações colaboradoras, com o apoio do presidente da JKF Kaichou² Sasagawa e membros executivos de ambas as nossas organizações, estamos determinados a continuar a desenvolver o Karate.” – declarou o kancho.

Em testemunho, os membros executivos das  organizações da Kyokushin kaikan, JKF e da WKF,  assinaram um acordo que iniciou o processo formal firmando o acordo  de  colaboração.

A Kyokushinkaikan continuará a ser uma organização independente, e irá manter a sua filosofia de base de Full-Contact Karate. O principal objetivo da IKO em campeonatos como o World Open Karate Tournament e All Japan Open Karate Tournament, será de manter os mesmos como eventos principais.

Sasagawa (JKF)  e Matsui (IKO SOSAI), firmando acordo.

Sasagawa (JKF) e Matsui (IKO SOSAI), firmando acordo.

Kaicho Sasagawa confirmou também que o IKO All Japan Open Tournament será oficialmente sancionada pela JKF.   Kancho Matsui anunciou que os membros IKO interessados ​​em participar dos Jogos Olímpicos e em competir em campeonatos da JKF, terão apoio por parte da organização, através de seminários de formação liderados por instrutores da IKO e JKF convidados.  O Kancho também declarou que fará esforços para criar oportunidades para o intercâmbio de técnicas de Karate entre as duas organizações, a fim de apoiar potenciais candidatos.

Será que o karate olímpico é o caminho de uma possível unificação entre os estilos?   Nos últimos anos vem surgindo organizações com o propósito de unificação e formando acordos entre escolas de diversos estilos, independente de sua regras de competição ( Full contact Karate ou Semi-contato).

No passado houveram várias tentativas de unificação, e uma delas resultou na criação da  WKF que desde então, vem tentando transformar o karate em modalidade olímpica. Mas somente agora as organizações de karate com competições de full-contato, vem mostrando interesse. Talvez esse seja o começo.

Toda a conferência foi transmitida ao vivo pelo canal da JKF no Ustream. O tradicionalismo do karate japonês está descobrindo o poder e dando espaço às maravilhas da internet, o que na opinião deste site é uma ferramenta maravilhosa para propagar mais ainda nossa bela arte.

VIDEO EM JAPONÊS.

Broadcast live streaming video on Ustream

E você, é a favor do karate olímpico com a entrada do Kyokushin na briga por uma vaga?
Deixe sua opinião nos comentários, compartilhe e ajude o nosso site com esse simples gesto.
Ossu!

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1- Kancho –館長 ( Pronúncia CANTCHÔU); tradução: Diretor.

2- Kaichou – 会長 (Pronúncia – CAITCHÔU); tradução: Presidente de organização/associação.

OSSU! OU SERIA OSS?

A combinação dos kanji Osu (押) e Shinobu (忍).

A combinação dos kanji Osu (押) e Shinobu (忍).

Pois é, finalmente decidi, mesmo sem achar que chegou a hora, falar sobre essa bendita expressão que usamos no karate.  Algumas artes marciais mesmo sem descendência japonesa, adotaram  essa expressão, que na minha opinião, não passa de puro modismo ou picaretagem mesmo. Mas vamos lá!

Acho que antes de tudo devemos explicar onde surgiu essa palavra, mas serei breve pois existem vários artigos na internet, derivados de estudos e pesquisas, que desvendam este mistério.
“Nascida dentro das escolas navais , a expressão Ossu/Osu/Oss, é formado por dois kanji ( ideogramas japoneses):  Osu(押) e Shinobu (忍).

 Osso /Osu / Oss, (押忍) é uma expressão fonética polissêmica. O primeiro caracter “osu” significa literalmente “pressionar”, e determina a pronúncia de todo o termo. O segundo caracter “shinobu” significa literalmente “suportar”. É usada pelos praticantes de karate no intuito  de mostrar respeito recíproco.

A expressão significa, de uma maneira mais simples, “perseverança sob pressão”. É uma palavra que por si só resume a filosofia do karate. Um bom praticante é aquele que cultiva o “espírito de oss”, de respeito.” – Extraído do artigo da Wikipédia (link)

Kakibushinojutsu!

Kakibushi no jutsu!

  Estes dois kanji separados, possuem outros  significados de uso constante no cotidiano japonês.  O  primeiro kanji  – Osu – também significa EMPURRAR, muito encontrado nas portas de estabelecimentos, em embalagens, eletrônicos etc.  O segundo – Shinobu –  pode  também significar ESPIONAR. Este kanji é o mesmo usado para escrever Shinobi ou Ninja. Para os fãs do anime ou manga Naruto, ele é bem familiar.
Achei importante explicar isso, para derrubar qualquer suposto misticismo, pois tenho certeza que algum esperto já deve ter feito  algo do tipo…

Alguns sites começaram a espalhar que a expressão OSSU/OSU, é a abreviação da expressão Onegai Shimasu (御願いします – Lê-se Onegai XIMASSU), linguagem humilde (kenjougo) que significa POR FAVOR.
No Japão, um pedido pode significar que você está numa situação abaixo à quem vai pedir o favor, e por isso, é importante ser polido e educado.  Logo, NÃO SE ABREVIA TAL EXPRESSÃO, POIS SERIA RUDE !
OSSU/OSU  NÃO É ABREVIAÇÃO DE ONEGAI SHIMASU!
Acredito que este erro foi cometido por alguém que tem conhecimento da língua japonesa, mas desconhece a expressões usadas no Budo.

Uma das maiores dúvidas que existe sobre essa expressão é sua escrita usando o alfabeto romano. Quem acompanha o nosso site e nossas publicações sobre as terminologias usadas no karate, sabe que usamos um dos 3 sistemas principais para a transcrição da língua japonesa para nosso idioma, no caso o sistema Hepburn.
O problema é que segundo este sistema, a transcrição da expressão pode ser feita das duas formas como já vimos antes.
Vamos recapitular!
Além dos kanji existentes na língua japonesa, existe dois alfabetos monossilábicos ( hiragana e katakana) que são usados para ler literalmente os kanji já que estes dão apenas a ideia da palavra.   Para entender melhor decidi postar uma tabela mostrando esses alfabetos, isso vai facilitar entender o por que da confusão a respeito da escrita romana desta expressão.

Escrita Huragana à esquerda, letras romanas ao centro e o katakana à esquerda.

Escrita Hiragana à esquerda, letras romanas ao centro e o katakana à esquerda.

Notem que com exceção das letras conhecidas como vogais no português, o resto de ambos os alfabetos japoneses são formados por caracteres monossilábico.
A expressão é escrita, segundo esta tabela, juntando a letra O (お para Hiragana ou オ para katakana) com o SU (すhiragana ou ス katakana), ou seja おす ou オス. Os dois kanji usados (押忍) dão a ideia do significado, mas até mesmo japoneses que não estão familiarizados com a expressão, que é restrita ao mundo das artes marciais  japonesas, tem dificuldade para entender ou até mesmo ler, mesmo com a popularidade que elas possuem no Japão.  Então, as vezes é necessário o uso do hiragana ou katakana ao lado do kanji, para saberem a sua leitura, já que um único kanji pode ter varias pronúncias.

Até aqui podemos concluir que o certo é escrever OSU, mas vamos com calma!

Existe uma segunda forma de escrita que não segue o sistema hepburn, mas é aceito  por exemplo, em dicionários digitais e  teclados japoneses de computadores.  Seria a forma com o duplo S, ou seja, OSSU.
Usei o dicionário Imi Wa ² para  smartphone, e produzi um vídeo que deixa mais claro a explicação anterior.

Agora sim, podemos concluir que OSU e OSSU são formas de escrita corretas para essa bendita expressão!
Mas porque então existe uma terceira forma que muitos aqui usam, a OSS?

Essa é a parte difícil de toda essa história…
Na língua japonesa, a polidez é necessária e em muitos caso EXTREMAMENTE NECESSÁRIA!  E até mesmo a entonação de palavras ou frases, pode mudar para expressar polidez, satisfação , alegria e etc.  Prolongar o som do S  e suprimir o U no fim de cada frase, demonstra isso, e chega a ser comum já que vários verbos possuem a terminação SU (す), que conjugados na forma polida,  torna-se SHIMASU ( します).

Ex: 今日私は 町田先生の稽古に参加します!

Pronúncia – Kyou, Machida sensei no keiko ni, sanka shimasssss! 

Tradução – Hoje, eu irei participar do treino com Sensei Machida!

A frase acima seria a resposta de um karateka eufórico por poder participar de um treino ministrado por um mestre famoso de karate.    Escrito em kanji, o verbo auxiliar ( SURU-する) na sua forma polidamente conjugada, termina com o SU, mas  transcrevi a mesma frase usando letras romanas, e tentei expressar graficamente a entonação feita pelo karateka. Notem que no fim ela acaba sem o U, apenas o prolongamento do S.
É isso que acontece quando escrevemos  OSSU/OSU, com a intenção de expressar graficamente a pronúncia.
Usamos essa expressão em momentos importantes durante o treino ou entre outros karateka, sejam eles kohai, dohai, senpai*  ou sensei.   E tal como o KIAI , devemos usar o HARA TANDEN³ (腹丹田) para entoná-la.
A escrita OSS – sem o uso do U – não está em nenhum dos sistemas de transcrição do idioma japonês para o nosso, não é aceita pelos dicionários eletrônicos ou computadores japonês , mas foi adotada por muitos adeptos, inclusive japoneses que a usam em seus autógrafos .
Infelizmente, nenhuma das organizações de karate oficializou a forma de escrita em alfabeto romano  desta expressão , o que dificulta a sua escrita nas obras literárias  sobre nossa arte.  As três formas podem ser encontradas em livros, capas de DVD de treinos, camisas, bolsas e outros artigos, dificultando uma padronização.

Muitos karateka tem opiniões divergentes sobre  essa terceira forma de escrita, alguns repudiam, outros aceitam e usam ( o meu caso), e alguns nem sabem de onde veio isso.  Existem vários argumentos contra e a favor.  Eu e Tiago Frosi vivemos numa eterna briga, já que temos opiniões contrárias sobre o uso.

Mas isso iremos explicar em uma outra oportunidade, pois este assunto ainda irá ser abordado num podcast, com a presença do time do PKC e convidados especialistas na língua japonesa, que podem esclarecer bem mais do que este humilde estudante auto-didata de NIHONGO (日本語) que vos escreve.
E você, como escreve essa expressão? Deixe sua opinião sobre o assunto e compartilhe nas redes sociais, você pode ajudar muito nosso site com um simples compartilhamento.
Um abraço e até a próxima postagem.
OSSSSS!!!

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Fontes: 2-App Imiwa? (v4.0.1 baseado no dic. JMdict – Jim Breen).  Michaelis- peq. Dic. Inglês-Português, Português-Inglês ( edit. Melhoramento -1989). Dic.Port. – Jap. Romanizado- Shiguera Sakame e Noema Hinata. Wikipédia artigo sobre o significado da expressão Osu/Ossu. 3-Sobre o Hara Danden –Wikipedia link

* Palavras da língua japonesa não possuem plural, por isso a  palavra karateka está escrita no singular e usando o K, seguindo  o sistema hepburn de transcrição. A palavra SENPAI segue também este sistema de transcrição.

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