COBRA KAI – 4ª Temporada

VAMOS VOLTAR COM TUDO EM 2022!!!

Olá karateka, depois de um grande intervalo nas postagens, começamos 2022 com estilo!

Vamos conversar sobre a 4ª temporada!

Se tem algo que vem sendo muito comentado no meio do Karate, é a estreia da 4ª Temporada de Cobra Kai. A série retornou ao Netflix para mais 10 episódios contando a saga de Daniel LaRusso e Johnny Lawrence que decidiram se unir para vencer a Cobra Kai de Kreese no Torneio de All Valley.

Aos que já assistiram a série completa, falarei um pouco da minha percepção e opinião sobre o que vi dessa temporada. Aos que ainda não assistiram, a partir do próximo parágrafo, teremos MUITOS SPOILERS!

——-*** ALERTA DE SPOILERS ***———–

O primeiro ponto que na minha opinião devemos ressaltar é que a série NÃO é feita para karateka e sim para o público geral, ou seja, os leigos. Por isso, não se prendam aos golpes e cenas de luta, pois vocês podem se decepcionar. Isso aliás é algo que falo desde o primeiro Karate Kid, de 1984. Na série Cobra Kai isso se torna mais latente, sendo quase uma dinâmica de lutas no melhor estilo “Power Rangers”.

Como eu disse, meu foco na série não são as cenas de luta e por isso, entendo que sejam necessários golpes com piruetas para que alcance o público geral. O que de fato após 4 temporadas ainda me incomoda, é a questão do cumprimento ainda ser visto em diversas vezes sendo feito de pernas abertas. Isso é um detalhe tão básico de ser corrigido que não entendo o porque de ser assim.

Mas quais a mensagens principais que essa temporada passou?

Vimos na temporada anterior que Johnny Lawrence entendeu o mal que a Cobra Kai fez na sua vida e decidiu se unir ao seu ex-desafeto Daniel LaRusso para então derrotarem a Cobra Kai. John Kreese que de bobo não tem nada, convida seu antigo companheiro de Exército e cofundador da Cobra Kai, Terry Silver, para se unirem e derrotarem seu adversários.

Como era previsível, os estilos de LaRusso e Lawrence não se batem e vemos um conflito entre eles, assim como na vida real, o que mais vemos são senseis com o ego inflado, crendo que seu caminho é o certo.

E justamente os filhos de Lawrence e LaRusso são os que percebem que ao invés de separar estilos, o ideal é combiná-los, para se tornarem lutadores mais fortes. Mais uma metáfora do Karate real. Quantos professores permitem e incentivam que seus alunos conheçam outros dojos e outras técnicas, sem que o ciúme (visto na série) e o sentimento de “possessão” tomem a cabeça deles?

Eu particularmente sempre incentivei meus alunos a conhecerem outros lugares, assim como sempre busquei aperfeiçoar minhas técnicas com outros professores e até mesmo, outras artes marciais.

Prova da efetividade de se misturar conhecimento é que a Cobra Kai vence o torneio justamente porque desde os treinamentos, o filho de Lawrence, Robby, que treinou na Miyagi-Do, começa a entender que a melhor maneira de derrotar seu adversário é estudando e aprendendo o seu estilo.

Enquanto LaRusso e Johnny ficam em guerra sobre qual dos métodos é mais efetivo, na Cobra Kai eles estudam ambos. A filha do LaRusso entende isso já no meio do campeonato, o que acaba sendo tarde demais.

Essa na minha opinião é a maior lição da série: não existe estilo ou método “melhor”. O que vai determinar a vitória é quando e como você vai aplicar.

No mais, seguimos vendo uma maior profundidade dos personagens, o que é muito legal. Silver é um sociopata, Kreese me lembra muito alguns “mestres” que lideram pelo medo e imposição, querendo ter discípulos subordinados ao invés de alunos.

LaRusso é o outro oposto, o cara que é o bonzinho, mas que na minha opinião, não daria certo na vida real.

Karate é uma luta, se ele escolheu o caminho do campeonato, deveria sim se preocupar em atacar. O papo dele de “só defendemos e circulamos” se mostrou ineficiente.

Por isso que eu, particularmente, cada dia mais creio que o personagem mais próximo da realidade é justamente, o Johnny Lawrence.

O cara tem um bom coração, mas a péssima orientação de seu sensei o fez seguir caminhos tortuosos, porém ele entendeu onde estava o erro e mudou, sem perder sua essência de acreditar que você não precisa ser sujo para vencer. Mas que você de fato, precisa sim ter essa fome de vitórias.

Lawrence na minha opinião é o balanço quase perfeito entre os extremos LaRusso e Kreese.

Aos defensores de LaRusso, recordem-se que na última cena da temporada, ele recorre a Chozen para ajudá-lo na próxima temporada. E Chozen é oriundo de Okinawa com uma tradição sólida de um Karate mais marcial.

No fim de tudo, a mensagem é a de que sempre podemos mudar. Seja na atitudes pessoais, lembrando também o caso de cyberbullying praticado pelo filho de LaRusso, ou mesmo nas profissionais. O quanto antes entendermos que não existe UM caminho e sim diversos, mais fácil ficará.

Você pode chegar na sua casa por diversos caminhos, usando diversos meios de transporte. Cada escolha de caminho e meio de transporte influenciará no seu tempo de chegada e na sua segurança. No caso do Karate, é a mesma coisa. Existem vários caminhos e várias ferramentas para chegarmos ao nosso objetivo. Não se fechem na casinha de vocês achando que o seu caminho, é o único certo.

Mais que isso, não perpetuem esse pensamento com seus alunos.

Até a próxima!

Ossu!

3 comentários sobre “COBRA KAI – 4ª Temporada

  1. No Miagi Do há dois lemas, primeiro karate é usado como defesa e segundo: aprenda o primeiro lema.
    É filósofo e eu concordo, mas na vida real é impossível vencer com “apenas” golpes defensivos, os ataques são necessários para vencer. Ainda mais num torneio que os karatecas disputam pontos.
    Algo importante pra refletir, nós fazemos como fomos ensinados por nossos senseis mas como o senhor Miagi fala uma hora vamos fazer do nosso jeito.

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  2. Gostei dos comentários sobre a série, porém, o único que discordo é do primeiro. Na minha opinião, ela não é feita para os que não vivem o Karate, “os leigos”, principalmente o público jovem. As cenas de luta que chegam a ser ridículas, na verdade são um dos elementos que atraem o público leigo – quem é do Karate não se anima muito com aquelas cenas. Já as diversas “metáforas”, como foi colocado, só podem ser compreendidas por quem sabe como são as coisas no meio do Karate e aí está o grande e principal atrativo para os karateka. Assim vejo que as cenas de luta são como um complemento de algo mais complexo. O alvo realmente me parece ser o karateka. Tudo ali retrata o mundo real das competições de Karate: a disputa por alunos – principalmente os melhores -, o ciúme dos professores, a agressividade dos alunos, a politicagem envolvida na criação de novas regras e novas entidades, enfim, todo mundo que pratica Karate se vê ali de alguma forma, por isso acho que a série é feita para atingir o público já ligado ao mundo do Karate, principalmente o mundo das competições. E falando em temas para atrair os jovens, ali tem vários como a questão do bulliyng que ocorre a todo momento, as questões de inclusão de pessoas deslocadas na sociedade, o despreparo de alguns professores para lidar com essas questões, etc. Os temas ligados ao Karate são o que menos atrai quem já não é desse meio.
    Oss!

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    1. Oss meu amigo. Mas se você mesmo diz que “as cenas de luta que chegam a ser ridículas, na verdade são um dos elementos que atraem o público leigo”, isso não seria uma prova de que a série é feita para o público leigo? O texto inicia justamente falando isso…que a série é feita, na sua maioria, para o público leigo. Grande abraço, oss!

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