ESPORTE NO MUNDO CORPORATIVO – 3ª parte

Hoje falarei sobre o terceiro ponto relacionado ao que o esporte me trouxe de experiência para o mundo corporativo. Para quem chegou agora agora e não leu os textos anteriores, basta clicar para ler o primeiro ou então para ler o segundo, onde falo de adaptabilidade em ambientes desfavoráveis e objetividade para solucionar problemas em curto espaço de tempo. O terceiro fator fundamental para que você tenha vantagens competitivas é Reinventar-se Constantemente.

3. Reinventar-se constantemente;

No mundo corporativo, quantos exemplos temos de empresas que eram líderes no seu seguimento e simplesmente desapareceram, afundadas nas falsas crenças de que “sou inovadora, não chegarão ao meu nível tão cedo”. Exemplo? O pager, um produto o qual você ligava para uma central e passava uma mensagem para uma atendente que digitava para que o destinatário recebesse via SMS. Sim…o mesmo SMS que hoje já é quase obsoleto nos celulares.

Com tanta evolução, tanto investimento em tecnologia, Inteligência Artificial você ainda acha que não precisa se reinventar? Uma estratégia empresarial que funciona em um ano, pode não servir no outro. Uma abordagem comercial que funcional no primeiro aproach, pode não funcionar no segundo. Se você performa certas atividades da mesma forma e é top performer em um ano e no ano seguinte fizer as mesmas coisas, qual será o impacto? Nenhum, afinal, basicamente você não inovou em nada, você foi o mesmo.

A verdade é que em qualquer área da vida, ignoramos constantemente esse ponto: reinventar-se. Me pergunto sempre o porque. A primeira coisa me vem na cabeça é a tal da zona de conforto. Sabe aquela máxima do futebol que diz “em time que está ganhando, não se mexe”? Pois é, acredito que muitos sigam ela. Mas que tal reavaliarmos essa máxima? Se pararmos para analisarmos com calma e entendermos o que está por trás dessa frase, o entendimento pode ser outro. Sendo bem simples e direto, quando se fala que “em time que está ganhando não se mexe”, alguém em ALGUM momento falou que quando o time é o mesmo, as estratégias são iguais? Não né?

Em qualquer esporte coletivo, é comum termos um time “titular” que sempre inicia os jogos. Isso porque uma equipe precisa de jogo coletivo, táticas bem definidas e estratégias que todo o time esteja alinhado. Isso só se consegue jogando junto ao longo do tempo. Porém, quando há coletividade, a individualidade aparece. E dentro dessa individualidade está o talento, onde grandes jogadores mudam o rumo de uma partida ao surpreender o time adversário com uma jogada que ninguém esperava: isso se chama improviso. Tentar algo que ninguém pensou e que não estava programado. E quanto mais jogadores prontos a tentar algo que não se espera você tiver no time, maiores as variações possíveis um time terá a seu favor.

E no karate? Como podemos aplicar isso? Em absolutamente TODAS as situações. Ainda há uma grande confusão quando temos o nosso próprio entendimento da filosofia e preceitos do karate. Vejo muitos praticantes falarem “sempre treinei assim. Karate é repetição”. Cuidado, pessoal. Não confundam treinar os mesmos golpes, com fazer da mesma forma. Você pode treinar um guiaku-zuki de milhares de formas e com diversas aplicações diferentes. Fazer o mesmo, da mesma forma, te dará o mesmo resultado. Porém, seu resultado não está diretamente ligado ao resultado FINAL, pois isso depende de como seu adversário está treinando. Logo, o SEU resultado pode ser o mesmo, porém se o resultado do seu adversário for superior ao seu, o resultado final será alterado. Basicamente: você acredita que fazendo o heian-shodan que você fazia na faixa branca, no seu exame para a faixa preta seria suficiente? Claro que não. O kata é o mesmo, porém a forma como você faz evoluiu.

Exemplo prático em outro esporte: 100mt rasos. Em 1896 a primeira Olimpíada da era moderna, o campeão Thomas Burke levou o ouro correndo em 12 segundos, 2.37 segundos mais lento que Usain Bolt quando foi campeão em Londres 2012. Na Olimpíada 2016 no Rio de Janeiro, o último lugar da final teve o tempo de 10.06. Para fins de comparação, o sexto lugar (antepenúltimo) nas finais de 2016 (Ben Youssef) teve o tempo de 9.96, que seria um tempo suficiente para ser vice-campeão Olímpico em Sidney 2000.

É muito comum acharmos que ao chegarmos na faixa preta, já sabemos de tudo e temos alguns golpes, movimentos e defesas perfeitos. Não se iludam. O mundo evolui em diversas áreas e uma delas é a fisiologia do exercício. A cada dia temos praticantes mais fortes e mais rápidos. Acompanhe essa evolução. Não se permita ficar preso numa eterna crença de que “o karate é o mesmo desde o século XVIII”. Por mais que você ame as tradições, evolua na parte técnica.

Então minha dica é: não espere se tornar “obsoleto” para mudar. Não espere a mudança total dos ventos para preparar a vela de um barco. E isso vale tanto para sua trajetória no karate quanto na sua vida, afinal não se esqueça que levamos o karate para a vida, não é?

OSSU!

Daniel Caputo
Faixa Preta 5º Dan CBK

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