A APLICABILIDADE DOS KATA NO KARATE

jonas-kata

O Kata é a prática mais reflexiva do Karate, a  abundância de diferentes técnicas faz com que levemos a vida toda para poder estudá-las e utilizá-las para de alguma forma, melhorar a nossa percepção do Kumite (não-competitivo).

De uma forma um tanto generalizada, ouvimos que o Kata é um conjunto de técnicas que simularia uma luta “imaginária”, porém esta seria uma meia-verdade.

Sem a intenção de levantar um motim, este artigo tem a intenção de fazer o praticante questionar, avaliar e tirar suas próprias conclusões em relação a sua prática pessoal independente de ideologias que defendam.

O Kata é uma ferramenta de auxílio para a compreensão das origens e reais intenções do Karate como defesa pessoal apesar de haver um conflito entre a maneira o qual o Kata é ensinado e a maneira que o Kumite é praticado.

É interessante lembrar que no Heian Shodan as defesas Gedan Barai Uke, Age Uke & Shuto Uke são praticadas avançando, enquanto a aplicação das mesmas técnicas na prática do Kihon Kumite é recuando apenas. O Kata em si, envolve tantos mistérios que acaba deixando-o deixa mais interessante.

A origem do Kata no Shotokan

funakoshi kata jigoro kano
FONTE : A influencia de Funakoshi no Judo

O intercâmbio cultural (forçado ou voluntário) que os Okinawanos tiveram com os chineses trouxe uma boa parte dos Kata que conhecemos hoje, apesar de terem sido modificados com os anos e chegado as versões que vemos hoje no Shotokan.

Durante o período o qual os cidadãos de Okinawa não poderiam portar armas, a prática do Kata foi de extrema importância para armazenar o conhecimento, como também ter uma rotina de treinamento preestabelecida.

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Com o passar dos anos, a versão do Karate que Funakoshi em Okinawa finalmente chegou em Tokyo e antes que pudesse ganhar o mundo, a Associação Japonesa de Karate, mais conhecida como JKA, estabeleceu uma nova versão da arte ao qual não parou de evoluir ate então.
O Kata chegou a ser drasticamente modificado para entrar nos moldes da sociedade japonesa, e o refinamento técnico e ultra detalhista, foi algo que foi implantado por influência da cultura nipônica.

O tempo vai mudando os Kata

 

Com o passar dos anos, muitas técnicas foram ficando “ultrapassadas” e houve a necessidade de serem modificadas. Uma delas, por exemplo seria a forma que o Shuto Utchi era aplicado no Kanku Dai. Na versão anterior do Kata, havia um movimento por tras da cabeça que servia para se livrar de alguém puxando o cabelo por trás da nuca (Funakoshi menciona esse penteado como “birote” em seu livro auto-biográfico). Outros movimentos sofreram alterações de acordo com o ponto de vista de cada mestre.

O Kata reserva um grande valor histórico e traz inúmeros benefícios práticos em termos de aperfeiçoamento técnico, isto e indiscutível, porem outras pautas serão debatidas neste artigo.

uniforma de karate com qualidade internacional


O Kata continua sendo um mistério para os praticantes

O que mais desperta a curiosidade nos Kata do Karate Shotokan, é que diferentemente das outras artes marciais japonesas, o seu Bunkai continua sendo uma eterna incógnita gerando infinitas discussões sobre a sua aplicabilidade.

Mesmo tendo consciência que os Katas foram modificados e que as técnicas foram perdendo suas intenções iniciais, ainda há a intenção de dar sentido a cada movimento executado em suas versões mais modernas?

KATA JION
Que kata é esse?

Um dos grandes conflitos qual os praticantes do Karate-do tem tido durante seus estudos, é entender por que até hoje, não criaram Katas mais claros e objetivos em relação a luta? Porque há a necessidade de decifrar ou ter que perguntar a alguém para que serve um determinado movimento do Kata, e por que sempre temos respostas diferentes quando perguntamos a outros instrutores?

Alguns praticantes acreditam que estes “mistérios” enriquecem o Kata, com a possibilidade de uma técnica ser executada de diversas maneiras. Mas será isso mesmo? A confusão e indecisão não enriquece nada, pelo contrário, empobrece e atrapalha seu desenvolvimento. Não há nenhum problema em usar um movimento para mais de um propósito, desde que o primeiro propósito esteja claramente explicito e definido.

Não há nenhum problema se o Kata não seja compreensível aos olhos de um leigo, mas aos olhos de um Karateka experiente, a incompreensão não pode ser considerada algo bom. O praticante deveria ter plena consciência da aplicabilidade do Bunkai, mas infelizmente isto não acontece.

Mas a culpa e do praticante ou de como este conhecimento e transmitido?

Choki Motobu

Muitos instrutores acabam criando suas próprias versões de Bunkai e as usam em demonstrações públicas. Algumas são até interessantes e coerentes, outras nem tanto. O resultado de alguns Bunkai, as vezes parece terem sido montadas para parecer uma demonstração circense de habilidades corporais.

Até mesmo os Bunkai ensinados por mestres renomados não são tão convincentes. Então por que nunca incluíram um Bunkai coerente e padronizado na programação prática das federações de Karate?

Já houve relatos de um praticante ser reprovado em exame para 5º dan por apresentar um Bunkai não convincente de um determinado Kata. Mas a culpa seria do examinando ou da federação o qual não propõe um padrão de Bunkai? O exame acabou se tornando algo subjetivo e sujeito a interpretação pessoal do examinador (que pode estar errado também).

Kata em dupla – Uma breve comparação com outras artes marciais

pinan shodan

Além do Karate não ter desenvolvido Bunkais claros, também não desenvolveu Kata com um parceiro, como é visto em diversas outras artes marciais japonesas. No Karate, o mais próximo desta conexão entre atacante e defensor, seria o Kihon Kumite, porém não e considerado um kata e sua prática é limitada a técnicas muito básicas.

Em um Kata de Jodo (Caminho do bastão), uma técnica não serve para dois fins e cada passo é meticulosamente entendido. Um jodoka não pode recolher o bastão, até o companheiro demonstrar através de seu gesto corporal e distância segura, que não tem mais a intenção ou chance em continuar atacando. Uma técnica estranha como Do Barai Utchi, é facilmente entendida quando executada com um parceiro sem precisar de modificações. Ela é executada exatamente do jeito que é praticada, o mesmo não acontece com o Bunkai de técnicas do Karate.

Em outras palavras, há um exercício mútuo de compreensão do papel de cada um durante o Kata (executado em dupla), tal como seus movimentos.

No Karate existem técnica de torções, quebramento de articulações e etc?

Bunkai do Kata Seienchin - fonte: www.rincondeldo.com
Seienchin – fonte: http://www.rincondeldo.com

Muitos praticantes adoram teorizar a existência de tais técnicas pelo fato delas estarem dentro dos Kata. Mas a verdade é que se as pessoas não praticam, elas não estão la. Dizer que o Karate tem torções, quebramentos, e técnicas “mortais” por elas estarem incluídas em certos Kata, não faz com que o praticante de Karate tenha conhecimento e saiba usar elas. Imagine só, um judoka se gabar pelo fato de sua arte ter socos e chutes so porque existe um Kata chamado Kime-no-Kata o qual inclui socos, chutes e armas brancas. Isso soa estranho, certo?

A ênfase de certas técnicas é o que da forma as características de uma arte. Karate: socos em linhas retas e chutes; Judo: Técnicas de solo e projeções. Qualquer coisa além disso, se chama “Resgate técnico” de determinados Kata e usados em treinos.

O praticante pode clamar a existência de certas técnicas em sua arte, porém deve pratica-las. Por isso é fundamental a inclusão dos Bunkai básicos e se possível, uma maior aplicabilidade dessas técnicas de forma que não haja mistérios e contradições.
Que as próximas “reformas técnicas” sejam com a intenção de simplificar e facilitar a praticabilidade do bunkai e sua inclusão na programação pratica das federações.

Oss!

6 comentários sobre “A APLICABILIDADE DOS KATA NO KARATE

  1. Olá! Sou praticante 3º dan Shotokan, apaixonado por katás. Pratico karatê budô, não-competitivo há 15 anos, então meu objetivo é a arte. Acho que o artigo está muito correto em levantar a questão que o bunkai não é ensinado como parte do treinamento padrão nos dojôs – alías, passa bem longe disso. E também acho que está certo ao apontar que mesmo entre praticantes mais avançados é muito raro encontrar convicção em relação ao significado das técnicas dos katás. Mesmo entre os 15 katás básicos! E isso é um problemão, porque faz com que gastemos tempo demais treinando katás com foco incompleto – acho que ele segue desenvolvendo diversas boas competências mesmo sem ter em mente o bunkai (concentração, equilíbrio, contração e expansão dos movimentos, etc). Mas sem o principal objetivo claro na mente gastar tanto tempo com katás é, de certa forma, um paradoxo.

    Agora, pelo que tenho estudado na Escola de Karatê do Brasil com o sensei Ennio Vezzuli e também com base na série de livros do Nakayama – Best Karatê – a escola Shotokan, que é aquela criada por Funakoshi Sensei, tem sim bunkais-padrão bem definidos para TODOS os movimentos dos katás. Existe esse padrão SIM, ele foi desenvolvido por Funakoshi e passado para seus alunos como Nakayama, que transmitiu adiante. Eu ainda tenho muito o que treinar mas nas aulas que fazemos vemos cada passagem, e temos apostilas com as anotações do próprio Funakoshi e tb de Nakayama instruindo cada técnica.

    E a minha impressão pessoal das técnicas que eu já pude treinar é que, salvo uma ou outra, a grande maioria delas é muito simples, objetiva e eficaz. Umas poucas me parecem meio esquisitas, mas até isso pode ser ainda falta de treino meu.

    De qualquer modo, o ponto que eu queria dizer com esse comentário é que existe SIM um bunkai padrão, ele é objetivo e eficaz. O que falta é mais professores melhor formados que tenham esse conhecimento e que possam inserir ativamente o bunkai em suas dinâmicas de treino.

    Pra terminar, outro conselho que nos é transmitido pela Escola de Karatê do Brasil é se dedicar justamente primeiramente à execução dos katás da forma tradicional, pensando no bunkai original da técnica. Só depois de dominar o padrão é que nos é encorajado praticar SHU HA RI, que é se desprender desse padrão e observar outras possibilides para a técnica, com visões de outros mestres e treiná-las por um tempo.

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  2. Assunto espinhoso. Sou a favor da evolução da arte, e certamente mestres como Gichin Funakoshi também eram. Acredito que os kata deveriam evoluir em alguns pontos. Sinto evolução no treinamento no dojô em que pratico, que é filiado à JKA: temos treinamento com projeções, treinamento com haito e shuto (o colega protege o pescoço com a palma das mãos, mas devemos atingir o alvo), então, tecnicamente, estamos treinando golpes que vão além dos socos e chutes retos. Até treinamento de queda já tivemos. Outro ponto é que o sensei exige que variemos a saída, a defesa e o contra-ataque no kihon ippon, de modo a ir muito além do arroz com feijão (gedan barai, soto uke, uchi uke e age uke). Enfim, creio que o treino deve sempre evoluir, e não deveria haver conservadorismo nisso. Já li que Sawamura foi criticado por tradicionalistas no Japão quando melhorou sua preparação para poder enfrentar lutadores de muay thai, mas ele ainda se considerava um karateka, e após se aposentar, seguiu dando aulas de karatê.

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  3. Boa observação no conteudo, afinal não adinta falar que kata tem se não a treina para implterpretar! Bunkai é e pode ser divercificado, o importante é que o responsável possa provar que aquele bunkai de determinada tecnica é eficas do que é proposto…..cada um é aquilo que treina….osu

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  4. Je pratique le karaté depuis plus de 40 ans et si les Bunkai n’étaient pas là et ouvert à cette créativité ça fait longtemps que j’aurais surement arrêté je pense que les Bunkai différents sont très intéressent ils permettent de garder une évolution et une adaptation constante de la rechercher du pratiquant avancé une recherche et étudie de toutes les possibilités sur une même technique ( différence fondamental entre un Art Martial et un sport de Combat) ceci permet aussi de pouvoir donner une explication qui est efficace pour chacun puisque le pratiquant peut l’adapter sa morphologie et ses performances physique particulière pour ma part il ne faut pas oublier que à l’origine les Maîtres ne pratiquaient que 1 kata c’était leur forme d’entrainement sur leurs techniques et leurs performances particulières pour le Shotokan c’est Gichin Funakoshi qui suite à la demande d’aller l’enseigner aux Japonnais à pris une année pour faire le tour de plusieurs Maîtres afin d’enrichir et d’élargir l’enseignement qu’il pourra donner et ainsi pouvoir adapter le Karate à un maximum de pratiquant.
    Les katas doivent ne pas trop être influencer par la compétition mais garder un maximum de leur essence ils ont une forme très riche de connaissance que les Anciens nous ont laisser chacun peut si retrouver ils permettent d’entraîner aussi notre mémoire même si il n’est pas nécessaire de les connaitre tous là aussi je constate trop souvent des pratiquants qui connaissent un maximum de kata différents mais la qualité d’exécution est aussi très importante bref le nombre doit être lié a la personne au nombre d’heure d’entrainement qu’il peut pratique au fait qu’il faut aussi pouvoir transmettre aux générations suivantes toutes ses connaissances sans savoir les techniques qui leurs seront utiles.
    Bref ceci est un vaste sujet qui a fait l’objet de mon mémoire d’examen de 5 e D le Bunkai Oss

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