PORQUE ME TORNEI ATLETA DO KARATE COMBAT?

Jonas 2

Ano passado surgiu uma liga de Karate onde renomados atletas de competição de semi contato lutavam na regra de contato pleno num evento  bem distinto do que estávamos acostumados a ver. A peculiaridade do evento, conhecido como KARATE COMBAT,começava pelo formato da área de competição o qual ficou conhecido como “The Pit” e toda produção e clima dos filmes oitentistas de artes marciais qual inspiram artistas marciais até os dias de hoje.

Com todo o profissionalismo de um evento de grande porte, não demorou muito para que o Karatê Combat ganhasse o espaço merecido.

A aparição do evento, dividiu opiniões do público do Karate. Alguns diziam que aquilo já não era mais Karate e outros diziam que aquela seria a divisor de águas para que o nome da nossa arte ressurgisse da escuridão o qual se encontra.

uniforma de karate com qualidade internacional

Que a arte das mãos vazias perdeu muito de sua eficiência devido às constantes regras limitando a combatividade não é novidade, mas sabemos que a competição faz parte do desenvolvimento de um lutador também, mesmo que seja em regras de pontos.
Porém, o que haveria de errado na aparição de uma regra de contato o qual havia sido cuidadosamente planejada para que a arte não fosse descaracterizada?

Jonas e Sofia Correia
Traditional Karate Newark Dojo – Nova Jeresey

Se observarmos bem, a ausência de técnicas de joelhos, cotovelos, chutes na coxa e “uppercut” mostra o quanto os organizadores tentaram manter a fidelidade às características competitiva da arte, ou pelo menos das regras comuns o qual estamos acostumados e não deixar que o evento viesse se tornar mais um evento de Kickboxing ou MMA.

Foi observando tudo isso, que eu me encantei com a possibilidade de entrar no evento e em menos de uma hora que eu havia descoberto sobre o KC no Facebook, eu enchi a caixa de entrada de todos os e-mails da empresa que eu pude encontrar em seu website.

Eu tinha que lutar ali!

Mas porque? Alguns chegaram a me perguntar, eu sinceramente não consigo entender bem a razão.

Existe algo o qual todo praticante de artes marciais que costuma competir bastante tem, é o gosto pelo auto-desafio. Alem deste fator o qual apenas uma profunda explicação freudiana faria o leitor entender, eu pensei comigo mesmo, que como eu deixaria de participar de um evento o qual já havia entrado para a história contemporânea do karatê?  Porque não dar a mim mesmo a chance de fazer parte deste capítulo?

Eu havia feito 3 lutas de Kickboxing Chinês (Sanshou/Sanda) em 2007 e uma de MMA amador em 2009, e havia competido Karatê inúmeras vezes; estava na hora de algo mais antes que minha rotina de pai de 4 filhos aos 33 anos de idade dificultasse ainda mais minha carreira competitiva.
Eu pensei que aquela era a minha última chance de fazer algo realmente significativo antes de encerrar (ou diminuir) a minha carreira esportiva dentro do karatê.

Dojoweb ferramenta de gestão

Na quarta edição do Karate Combat em Nova Iorque (30 minutos de distância de onde eu moro) eu encontrei uma maneira de estar ali perto e ver como funcionava. Tive a oportunidade de conhecer diversas pessoas no evento e foi ali que eu consegui demonstrar meu interesse e no mês seguinte fui convidado a lutar.

Eu tive 3 meses para me preparar.

O treinamento para regra de Full contact é muito diferente do treinamento para karate tradicional. Já que não haverá marcação de pontos e a luta terá continuidade após uma técnica bem executada, os treinamentos de alta intensidade baseada em treinamento de MMA, e outros esportes de contato se faziam necessários e três meses pareciam não ser tempo suficiente para isso, além de eu ter marcado uma viagem para treinar no Hombu Dojo da JKA  em Tokyo*  por uma semana.

A semana do evento havia chegado, e tínhamos que estar em Hollywood uma semana antes para fazer uma série de exames médicos entre outras coisas exigidas para a divulgação e marketing do evento.

Enquanto todos os lutadores já encontravam-se a postos e mantendo a forma junto com seus treinadores, eu não tive a mesma sorte. Meu treinador só pode vir um dia antes da luta.

O dia do evento chegou, eu estava confiante, e obtive a vitória em cima de meu adversário Luiz Diogo de Portugal, porém não havia gostado de meu desempenho por razões particulares.

A sensação de acabar uma luta de contato é muito boa, principalmente com um resultado positivo. Mas a verdade é que a adrenalina faz com que você continue sentindo falta do combate e se alguém me perguntasse se eu lutaria novamente naquele momento, com certeza eu diria que sim.

Jonas correia atleta da seleção americana JKA de karate
SKDI JKA SPRING TOURNAMENT 2019

Eu acredito que todos karateka* deveriam experimentar lutas de full contact independente de sua ideia do que o Karate deveria ser. A verdade é que numa luta de contato é você contra o seu pulmão!   O seu adversário é apenas um detalhe.

Num combate real, muitas vezes o fôlego supera a técnica e muita gente negligencia este fator de extrema importância.

Para aqueles que acreditam na eficiência do Karatê como arte de defesa pessoal, devem experimentar alguma vez na vida algo deste tipo, mesmo sabendo que o KC trata-se de uma competição de regras limitadas, as lutas de contato ensinam bastante sobre lutar sob pressão.

Se você acredita que o Karate seja o suficiente, eu aconselho a bater makiwara* todos os dias sem exceção. Acredite na ideia de Ikken Hisatsu, pois se um dia você vier precisar usar o seu karatê num combate real e não tiver fôlego suficiente, seja preciso e direto, porque se você precisar levar mais que 5 minutos para resolver uma situação de combate real, será muito difícil obter êxito.

A verdade é que um artista marcial não deve se fechar à apenas uma ideia. Eu acredito que o praticante deve seguir fielmente um caminho o qual ele acredita, porém deve estar pronto para não ser surpreendido; e experimentar algo diferente não vai fazer com que você desacredite o que você tem praticado, mas pode te ajudar a entendê-lo melhor.

Eu espero que O Karate Combat tenha vindo para ficar.

Nem todo karateka precisa do KC, mas o Karate precisava de um evento assim embora haja alguns ajustes a ser feito em relação às regras.

 

Mesmo não agradando à todos, esse evento  veio num momento oportuno, onde a nossa arte cai no esquecimento de um mundo onde só tem olhos para o MMA, Muay Thai, Kickboxing e etc.
Quando foi a última vez que você encheu seu dojo de adultos? Porque o Karatê ficou limitado apenas as crianças?
Não podemos esperar por mais um Lyoto Machida para amaciar o ego ferido?

A verdade dói, mas o Karatê perdeu muita credibilidade como defesa pessoal.

Salve o Karatê Combat e/ou qualquer outra tentativa de fazer algo mais ousado.

Agora preciso ir , ta na hora de  bater na minha makiwara*!

Ossu!

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O site PKD usa o sistema Hepburn de transcrição do idioma Japonês para o alfabeto Romano.  Seguindo este sistema as palavras  Tóquio se escreve  Tokyo, Karate não possui acento circunflexo; e Makiwara ( poste de madeira usado para treinar socos e chutes ) se pronuncia MAQUIUARA.

6 comentários sobre “PORQUE ME TORNEI ATLETA DO KARATE COMBAT?

  1. Que qualidade de matéria! Show demais! Uma experiencia compartilhada! Faz o leitor se colocar no lugar do protagonista, e é pura verdade.!

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  2. Excelente explanação. Compartilho de suas idéias e acredito nesse karatê porque é o que treino no dia a dia e em contato com outras modalidades é o se mantém com igualdade. O karatê de ponto tem degradado nossa Art, e temos perdido bastante espaço.

    No nosso club não temos crianças. Optamos por um treino de contato e as vezes participamos de competição porque gostamos de lutar. E é sempre bom competir.
    Oss.
    Meu nome é Robson.
    Juazeiro BA

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  3. Me interessa um dia lutar no KC, não tenho visibilidade por não competir muito e a única competição de grande porte que participei foi um norte/nordeste em Fortaleza 2012(isso atrapalha?) e tenho estado relapso com meus treinos (isso eu sei a atrapalha… rs). Entretanto, é algo q venho melhorando e estou tentando me fazer voltar a forma (que ainda é de tonel). Acredito na força marcial do karate-do/jutsu. Oss, Pinto sensei, desde o youtube tenho seguido seu trabalho.

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  4. Não acho que o Karate esteja nessa “escuridão”, pelo contrário, nosso esporte acabou de ser reconhecido como esporte olímpico, pra você ser um competidor de alto nível é preciso muito preparo físico, velocidade, técnica, tempo de reação entre outras qualidades que são extremamente úteis em qualquer tipo de combate, seja com contato ou não. O que acontece é que muitos Karatecas não estão acostumados a receberem golpes contundentes, pois sempre lutam de forma controlada, e na competição o árbitro é obrigado a parar sempre que um lutador se lesiona, ou seja, vc se condiciona a parar de continuar lutando sempre que sentir uma dorzinha ou qualquer tipo de pancada mais contundente, o fator psicológico é o determinante, com isso alguns karatecas não sabem como reagir ao receberem um golpe realmente contundente e acabam entregando a luta. Isso tb ocorre com atletas de Jiu-Jitsu ou de outros estilos de grappling.
    Para corrigir este erro, pode ser feito regularmente um kumite mais pegado com luvas de boxe e capacetes, dessa forma podem soltar mais os golpes e assim se familiarizarem com o contato de forma segura. Outra forma, mais tradicional, é um kumite onde só valem tapas, porém pode encher a mão, antigamente na época do vale tudo era comum nas academias de Jiu-Jitsu ver os caras treinando com tapas na cara, dessa forma eles aprendiam a aplicar o jiu-jitsu deles numa realidade onde o cara pode acertar a sua cara com golpes e vc precisa saber se defender, e tb a se familiarizar com o contato dos golpes e não perder o foco ou se frustrar devido a uma pancada no rosto.
    O importante é sempre estar com a mente aberta e aprender a se adaptar “Be Iike water, my friend”.

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