LUGAR DE KARATEKA É NO TATAME?

Lugar de engatiar é no tatami...
Lugar de engatiar é no tatami…

Inspirado pelos debates, postagens e meme que surgem todos os dias nas redes sociais, eu decidi escrever sobre mais um erro comum no mundo do karate.

Equivocadamente a maioria dos karateka usa a palavra tatame (畳め) para se referir à arena de competição onde ocorre as disputas de kata e kumite. Eu acredito que muitos erros foram cometidos devido à pouca intimidade com a língua japonesa, e/ou o aprendizado dela, com professores que não tem intimidade com as artes marciais do Japão, e consequentemente com a semântica das palavras usadas dentro desse ambiente.

Mas é ai onde o Pinto entra! … não, pera!

Antes de tudo, eu preciso e quero explicar que estudos sem treino não é nada, assim como o inverso também é um erro. Ou seja, seja nerd, mas com um karate forte e bonito se possível.
Saber se portar de forma certa dentro do dojo, saber o que se fala e como se fala, baseado em minhas experiências, não só ajuda-o à ser bem aceito em qualquer dojo, como também lhe livra de situações embaraçosas. Nunca pensei que iria ter a oportunidade de treinar no berço do karate, e num belo dia eu estava descendo de um avião em Tokyo, para trabalhar e morar no Nippon. Mas vamos lá!

Tatami tradicional de palha de arroz
Tatami tradicional de palha de arroz

O tatami é um tipo de um bloco de piso, feito de palha de arroz prensada e revestido por palha de junco, simetricamente traçada, com bordas revestidas por faixas decorativas. Ele foi e ainda é considerado um artigo de luxo, dependendo do fabricante e até mesmo das faixas decorativas.
Seu tamanho é único, tendo 180 cm de comprimento e 90 cm de largura, resultando em 1,62 m².
Os quartos japoneses são medidos pela quantidade de tatami que cabe. Seu uso é um pouco delicado devido ao revestimento de junco, e pode se estragar com poucos anos de uso. Graças à cultura japonesa de não usar calçados comuns dentro de casas e especialmente em ambientes com tatami, sua durabilidade se estende, mas é comum a troca no caso de casas ou apartamentos alugados.
Já existem tatami sintético sendo usado na prática de artes marciais, como o Judo, Aikido e até mesmo o karate. A preferência deve-se à durabilidade e a facilidade na manutenção. Um tatami sujo pode se tornar um excelente lugar para o desenvolvimento de fungos e resultar em doenças na pele e couro cabeludo.

Em geral, os dojo particulares e mais antigos de karate, usam o piso de madeira, que possui mais aderência e diminui os riscos de lesões. Mas mesmo assim é necessário cuidado em caso de quedas em treinos de kumite quando o pessoal se empolga. Já vi muitas cabeças batendo no chão duro e sendo costuradas.

Revestimento emborrachado EVA
Revestimento emborrachado EVA

De alguns anos pra cá, o tradicionalismo deu lugar ao moderno, e muitos dojo passaram a adotar um tapete de borracha ( EVA), composto por placas, algumas de encaixes tornando mais seguros, mais aderência e mais duradouro do que os tatami . Uma invenção estrangeira, que continuou com o mesmo nome “yanke”. Esse emborrachado apelidado no Brasil de tatami sintético, é conhecido no Japão por MATTO (マット), derivado da palavra inglesa MAT ( esteira).
O Matto reveste aquela área que muitos insistem em chamar de tatami, mas que na verdade se chama KŌTO (コート), do verbo inglês to coat ( revestir), ou  em japonês SHIAIJOU (試合場 – local ou lugar de competição).
O kōto ( forma de se pronunciar), possui 8 m² de largura de área válida para competição, e 2 m de área de segurança distribuídos nas laterais. E em muitas federações, o uso do matto para revestir e demarcar a arena de luta, é obrigatório.

Revestimento de EVA usado no Mundial JKA
Revestimento de EVA usado no Mundial JKA

O objetivo desta postagem é esclarecer aos praticantes e sensei de karate, que tatami não é a arena onde lutamos ou executamos kata para ganhar medalhas.
E pra finalizar:
– Lugar de karateka é no DŌJŌ (道場), local onde se pratica artes marciais japonesa, e não no tatami.

– É no KŌTŌ (ou shiaijo) onde atleta de karate tem que lutar.

– E tatami é com I! Escrito com E se refere ao verbo tatamu ( 畳む), que significa dobrar.

*ATUALIZADO
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Fontes: App Imiwa? (v4.0.1 baseado no dic. JMdict – Jim Breen). Regulamente de competição da Japan Karate Federation. Wikipédia – Tatame ( medidas e coposição). Michaelis- peq. Dic. Inglês-Português, Português-Inglês ( edit. Melhoramento -1989). Dic.Port. – Jap. Romanizado- Shiguera Sakame e Noema Hinata.
*As vogais que se apresentam acentuadas  como no exemplo “Ō´´, demonstra  o alongamento na pronúncia da vogal, seguindo as regras do sistema hepburn de romanização da língua japonesa. As palavras que possuem duas consoantes iguais juntas (Matto), deve ser pronunciada com uma leve pausa entre elas. Ex: mat-tô, Nip-pon

18 comentários sobre “LUGAR DE KARATEKA É NO TATAME?

  1. O grande problema é a acomodação dos karatecas, eles não se preocupam em estudar e aceitam tudo que o professor fala com “sagrado” (era assim mas melhorei bastante kkkkk). Temos que esta sempre pesquisando, que é uma arte de outro pais de lingua complicada, o jeito é pesquisar em várias fontes. Você ajuda bastante a todos nós Pinto San.

    Val Lima Nidan – Aramari – BA

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  2. Pinto San, Já vi professor (Brasileiro) querendo falar tudo em Japonês. Assim como, já vi professor (Japonês) conduzir aulas em português. Contudo, não somos obrigado a falar japonês, apenas entender o básico. Mas para isso o praticante tem de querer, não ficar apenas esperando do professor, isso é mau de aluno em geral. No meu ponto de vista falta padronização no Karatê Shotokan, infelizmente devido as várias federações cada um faz, e denominar o que bem entender, outras nem isso.

    Fora isto você tem o Jiu Jitsu uma mistura de nomes em Inglês, Japonês e Português, que literalmente influencia em outras artes não organizadas (padronizadas).

    Sobre o Karatê Nerd se você encontrar um carateca com este adjetivo, aqui no Brasil, dê os parabéns para ele! Conheço caras muito bom de luta, mas não sabe escreve um Mae Gueri.

    Gosto do seu blog, mas às vezes você, e outros membros da equipe possui uns argumentos muito agressivos ao karatê no Brasil. Seria interessante discuti a Lei Pelé que facilitou a expansão dos esportes com a criação das federações. Discutir sobre padronização do karatê brasileiro. Outro ponto é discutir Lei das Oscip onde há muitas academias com este fim.

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    1. Não existe obrigatoriedade no estudo da língua japonesa para se praticar karate. MAS EXISTE PARA APRENDER O VOCABULÁRIO ISANDO DENTRO DO TREINO E NO DOJO. ISSO É A PADRONIZAÇÃO QUE VC FALOU. Essa padronização existe há muitos anos dentro do Shotokan. Foi criada na JKA e formalizada na coleção O Melhor do Karate de Masatoshi Nakayama. Se você souber falar e entender nomes de técnicas e comandos que estão neste livro, você será capaz de participar de uma aula em um dojo na Russia, sem falar nada de Russo. Assim foi comigo quando cheguei ao Japão sem saber nada da língua japonesa.
      Queremos discutir os temas que vc citou, mas precisamos de profissionais da área para falar com embasamento, e nem sempre conseguimos conciliar o horários Brasil/Japão para gravar com estes profissionais.
      Não conheço essa lei das Osip, mas vou procurar saber.
      Obrigado pelas dicas e comentários.
      Oss!

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