UM OUTRO ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Takaoka Jinja

O ser humano tem a necessidade  de se socializar, criar grupos ou fazer parte deste, foi assim desde os primórdios e ainda é.

Mas tal necessidade  tende a ser um estopim para casos graves que assolam a sociedade. Racismo, discriminação e outros atos separatistas , chegam até mesmo a gerar crimes com vítimas fatais.

Este mal também assola o karate, não com casos de crimes ( até onde sei) mas com a discriminação, e às vezes o que parece ser algo inofensivo, pode chegar a ser uma grande dor de cabeça.

No Japão da era dos samurai , conhecido como “Edo Jedai (江戸時代)”, as disputas entre as diversas escolas de artes marcias eram acirradas, estas  eram organizadas tanto  oficialmentes quanto  clandestinas, entre praticantes que decidiam qual era a mais forte .

Isso era comum e de certa forma aceitável, pois a situação da época exigia eficiência, qualidade que deveria ser provada , o país estava em constante disputa política, muitos samurai’s tinham perdido  seus bens  nestas guerras, e tentava a todo custo um meio de “ganhar a vida”, manter  sua família (quando possuía) e a solução mais rápida era voltar a ser vassalo de algum senhor feudal ( Daimyo). Era mostrando o quanto eram fortes no manejo da espada, que  eles obtinham sucesso ou perdiam a reputação que ainda restava e as vezes até a própria vida.

O bom disto tudo e que não havia lugar para os “picaretas”, aqueles que hoje em dia ganham graduações de “mestres” sem nunca terem treinado!

Mas hoje o mundo é completamente diferente, nossas guerras são outras, e o objetivo de treinar uma arte de defesa pessoal tem outro sentido na maioria das vezes. Infelizmente as lutas entre estilos/ federações/dojo’s ainda continuam, e ao invés  dos professores de karate formarem karateka’s, estão criando “devotos” de uma “seita” conhecida como “O MEU ESTILO”!

Às vezes fico confuso se estou falando com um praticante de algum dojo, ou um fanático religioso, que a toda hora tem que invocar o nome do criador do seu estilo ou da federação a qual é filiado, chega a ser constrangedor, e o que é pior, muitos são pessoas com anos de convívio dentro do karate, deixando bem claro que os anos de dedicação resultaram apenas no cultivo de uma prepotência que só faz mal para seu cultivador.

Tais pessoas se tonam antissociais fora do seu grupo, costumam destratar os demais de forma direta ou indireta, a educação  profissional não é uma característica destes.

O que falo aqui é por conhecimento de causa, pois já fui vítima e algoz. Já defendi com unhas e dentes algo que estava errado, mesmo conhecendo pouco  do que defendia, não aceitava opiniões contrárias ou qualquer tipo de crítica, tinha um cérebro dominado  e uma cegueira causada pela prepotência adquirida e ensinada dentro do meu dojo e federação.

O impressionante é que depois de enxergar o que realmente acontecia, passei a ser alvo dos antigos companheiros de opinião , mesmo eu fazendo todo o possível para provar que minha intenção era de ajudar , fui tido como  um “ATEU” , que duvidada dos “ENSINAMENTOS DO GRANDE MESTRE”, seja lá quem for esse ai!

O vídeo a baixo é de uma cena lamentável que presenciei  em uma competição da minha antiga federação, mostra como a prepotência, a lavagem cerebral e a superficialidade do treino podem fazer a um praticante quando ele se depara com a realidade e descobre que não é o que imaginava ou o que diziam.

Vigiem seus pensamentos, eles são traiçoeiros. Se você defende com tanto amor  seu karate, pare um pouco e analise os princípios de conduta que ele exige dentro e fora do dojo, no caso do Shotokan temos o Dojokun( lema do Dojo), formação de caráter,procurar a razão e respeitar mesmo quando não é respeitado são lemas que devem fazer parte do dia a dia de um karateka, sei que existem dias que isso se torna quase impossível,mas podemos nos esforçar para prolongar os intervalos que existem entre eles.

Você professor ou sensei, tenham em mente que  seus alunos não são produtos que lhe pertencem, tão pouco devotos de alguma igreja  que exige um dogmatismo quase que lunático. Sempre vejo frases que falam  do  karate construindo homens para um mundo melhor e toda essa baboseira, mas me diga como isso é possível se na verdade o que ensinam é a individualidade?

Um mundo melhor se constrói com união ,  e  não com disputas de ego exagerados!

Oss!

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Sobre Pinto San

Estudante de karate há quase 20 anos, amante da cultura japonesa desde os 8 anos de idade e viciado em lámem. Casado com Priscilla Pinto ( filha de japonês), decidimos vir para o Japão pra levantar uma grana trabalhando nas terríveis fábricas japonesas, e treinar muito karate. Treino em um pequeno Dojo no interior do Japão, mas todos os anos em embarco em aventuras pelo país/ilha, procurando os melhores dojo de shotokan para aprender mais karate. Meu objetivo é simples, ser o melhor karateka do mundo! Claro que isso é impossível, mas no fim das contas o mais importante mesmo é a jornada.

Publicado em 18/11/2009, em Nossos Colunistas, Pinto San e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. Descobri o seu blog há duas semanas, nem me lembro já como… mas comecei a ler e gostei, acho que está muito bem estruturado e com matérias de muito interesse, em relação a este post acho que está simplesmente excelente.O que relata infelizmente não se passa só no Brasil aqui em Portugal também existem algumas dessas seitas feudais, felizmente que não é o caso da minha associação senão já tinha saído.
    Vou adicionar o seu link no meu próprio blog.

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  2. OSS!
    Concordo com tudo o que o senhor Carlos Rodrigues disse bem como este último excelente post! Acho lamentável o «individualismo» de certos responsáveis,isso desprestigia e muito esta arte tão interessante, posso dizer que já tive algum contacto com um dojo desse género mas as coisas tendem a melhorar e este o nosso optimismo!! Espero que todos entendam que o caminho é o da humildade e nada mais. As atitudes é o mais importante! A forma de estar deve ser de boa ética e os líderes devem dar sempre este exemplo!
    Visitem estes nossos blogues:
    http://www.sebentakarate.blogspot.com
    http://www.kohaikaratedo.bloguedesporto.com

    Deviamos interagir mais neste mundo virtual! Quiçá criar-se algum evento, ou algo que promova de forma positiva estar arte marcial, “karatéDo”! Já agora, pratico o estilo Shotokan, desde os 6 anos. Viva Portugal (Leiria), viva o Brasil e um excelente ANO NOVO! VIVA 2009!

    OSS!

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  3. Pedro Henrique Dias

    OSS!
    Como vai Pinto Sam ?
    Gostei muito do seu Blog, e o conteudo nele apresentado é muito bem proveitoso aos estudos do karate Shotokan.
    Sou Brasileiro e treino na Academia Gensei de Timóteo-MG, e ela nao é lá da JKA Brasil mas indiferente disso, temos ótimos senseis e karatecas e o seu Blog me ajuda de certa forma a conhecer mais sobre o karate e outras formas de treino como o Taisabaki que nao conhecia e o treino com borrachas.
    OSS !

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    • Pedro , obrigado pela visita, e não se preocupe com siglas ou estilo, apesar de treinar apenas shotokan e ser da JKA, eu não me preocupo com isso e tento ajudar a qualquer um que queira aceitar uma sugestão.
      Um abraço , bons treinos e fique ligado no blog.
      Oss!

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  4. Pedro Henrique Dias

    Obrigado pela atençao Pinto San!
    vou ficar ligado no Blog , e parabens pelo ótimo trabalho exercido aqui.
    Um abraço e bons treinos para vc tambem.
    Oss!

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  5. Pinto Sam, vendo o vídeo acima, penso que falta nesses “pseudos professores” um compromisso em repassar a parte mais importante da arte marcial que é a filosofia.
    Acredito que a preocupação maior desses “pseudos professores” é a preocupação com a luta. Muito das vezes passando para o seu aluno que aquele que “bate” mais forte é o melhor, esquecendo-se que um homem é muito mais que isso.
    Abrç,
    Boaz

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  6. Oss Sensei Pinto,

    Treino Karate Shotokan á 5 anos, quando íniciei ia á procura do treino da mente e do espirito, tinha o meu mestre como um idolo e um exemplo a seguir, cada vez que tinha que tomar uma decisão na minha vida pensava como karateca, tinha enorme orgulho em pertencer á JKA, mas com o tempo a desilusão tomou o lugar do orgulho. como já foi dito o nosso mestre tem uma enorme responsabilidadde para com os seus alunos e não deveria fazer destinção entre eles, as falhas de carater e de respeito bem como a forma permiscua com que gere a sua vida desrespeitam e dessonrram o karate seja ele de que estilo for. Queria acreditar que o karate não é só murros e pontapés, mas de facto ainda não encontrei um mestre digno desse mérito.
    Como se pode ensinar crianças e serem seres melhores e apregoar as máximas do karate e mesmo dentro do dojo se falta ao respeito ás suas atletas?

    Falta-me ainda dizer que vivo o karate como um caminho individual e independentemente da falta de ética dentro do meu dojo, existem nele excelentes pessoas com muito karate, entramos, treinamos e saimos, damos o nosso melhor lá dentro e tentamos esquecer o resto, porque se falamos somos humilhados.

    Oss

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  7. Pinto san,

    Infelizmente esta é uma realidade, muitos mestres e sensei`s fazem a besteira de dês da faixa branca, colocar na cabeça do aluno que o estilo que ele pratica é o melhor, e que os outros não tem nada a acrescentar.
    Já teve época que eu mesmo não respeitava outros estilos de karate a não ser o meu,e acredite achava humilhante se perdesse para algum deles.
    Porém me afastei do meu dojo após uma briga interna entre dois faixas pretas, que acabou me envolvendo, sempre imaginei meu dojo como uma família unida e quando me vi com as pessoas que acreditava me falando para treinar para “destruir” meus amigos que “mudaram de lado” me senti forçado a abandonar.
    Estou dois anos afastado e treino sozinho em casa.
    Comecei a treinar judo para acrescentar novos golpes e conhecer novos estilos.
    Agradeço por existir pessoas como vc que vem as Artes Marciais como verdadeiramente é.

    Oss

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  8. Carla Correia Silva

    Concordo, já passei pela mesma situação que você, de perceber que algo estava errado e tentar desalienar os karatecas. Realmente, tem muitos que parecem fanáticos religiosos! Felizmente onde treino a maioria dos praticantes são pessoas abertas a discussão e pontos de vista diferentes, talvez porque treinamos dentro da Universidade.

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